Durante muito tempo nas histórias em quadrinhos, a cor foi deixada em segundo plano, como algo bem burocrático que estava lá apenas para constar e nunca era considerada algo que fosse parte do processo criativo.
Isso acontecia por dois motivos: primeiro porque(com exceção dos autores que coloriam seus próprios trabalhos) quem fazia a cor não precisava ser um artista, era alguém da própria gráfica ou algum técnico que seguia uma guia de cor feita em guache ou ecoline. O segundo motivo é que um colorista recebia muito pouco, por isso ele tinha que fazer mais que dez páginas por dia para que valesse à pena, deixando o resultado final nada inspirado, muito insípido, claramente feito ás pressas e por vezes absurdo.
Originalmente o colorista tinha apenas 63 cores para escolher, mas nos anos 70 essa lista foi expandida para 124. Nos anos 80 apareceu a cor digital, transformando o colorista em um verdadeiro artista com a possibilidade de utilizar milhões de cores.
Era inconcebível a idéia de que a cor poderia ser usada para construir uma narrativa seqüencial, guiar a atenção de um quadro para outro, aumentar a dramaticidade, criar clima, definir emoções, sugerir calor, frio ou até desolação e até mesmo situar flashbacks.
Quando você compara uma revista em quadrinhos feita nos anos 70 e uma revista feita nos dias de hoje, fica clara a diferença que a cor faz e fica claro que com o passar do tempo os artistas e autores tiveram que se ajoelhar ante à uma poderosa ferramenta para contar histórias, a COR.
Hoje a cor nos quadrinhos é considerada tão importante quanto qualquer outra etapa do processo de criação e sem um bom colorista, o apelo e a qualidade de uma revista em quadrinhos pode ser prejudicada.
Existem milhares de exemplos em que um medíocre trabalho de traço sem inspiração, sem dimensão, sem clima e sem atmosfera foi salvo por uma grande colorização. Mas o contrário também pode acontecer e um traço bem trabalhado pode ser arruinado por uma colorização desleixada.
O colorista de quadrinhos deve ter sempre em mente que seu principal objetivo é contar uma história de forma clara e seqüencial e existem muitos conhecimentos que o colorista tem que ter para fazer isso, como criar um clima, fazer a história fluir pelas diferentes cenas e trabalhar com o que o roteirista e desenhista propuseram para a história.
Ser colorista é contar a mesma história que o roteirista e o desenhista estão contando, só que utilizando a cor.



Texto muito interessante, realmente a cor é algo
a ser bastante estudado e valorizado.